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Como explicar a crise às crianças

Especialistas garantem que aos três anos as crianças já devem saber porque não podem ter brinquedos novos.

A crise alterou a vida de muitas crianças, mas os pais não sabem como falar dela. Pediatras aconselham a não esconder o problema. E sugerem a melhor forma de explicar aos mais novos o drama dos problemas financeiros quando eles fizerem certas perguntas.

Pai e mãe, porque é que não posso comprar o brinquedo?

"É essencial integrar as crianças nas poupanças em tempo de crise. Ou seja, fazer com que elas se sintam parte da resolução." O conselho é do pediatra Gomes Pedro. Não esconder das crianças os tempos difíceis de crise e envolvê- -las nas poupanças familiares é também a opinião do psicólogo Bruno Pereira Gomes. "Assim, elas sentem que estão a ajudar, vão sentir-se melhor, caso contrário poderiam até pensar que os problemas económicos da família são culpa delas", explica o especialista ao DN.

A psicóloga Sílvia de Jesus Coutinho defende que "convém passar a mensagem às crianças de que nem sempre vão poder comprar tudo o que querem". Adiantando que assim os mais pequenos se adaptam melhor às mudanças de circunstâncias e percebem que os pais não são nem devem ser super-heróis.

O que quer dizer isso da crise, podem explicar-me?

Conversar com as crianças não é fácil, mas Bruno Gomes sugere que os pais fujam aos discursos elaborados. O especialista diz que o melhor é um discurso simples que não assuste as crianças.

Também Sílvia Coutinho avisa que quando os filhos perguntam o que é a crise tudo deve ser explicado "numa linguagem próxima do nível de entendimento da criança". Além disso, acrescenta, não se deve "explicar coisas a mais". Basta responder às perguntas dos filhos de forma simples.

"Não é preciso forçar nada. Há que estar atento às perguntas que os filhos fazem e ir esclarecendo as dúvidas calmamente" diz Bruno Gomes, que acha ser "impossível as crianças não saberem o que se passa com a quantidade de notícias que há". Atendendo às informações, "elas, neste momento, têm medo da crise", diz.

Mas eu não sou novo de mais para saber essas coisas?

De acordo com Gomes Pedro, quando as crianças entram para a escola, "é importante que vão adaptando os conhecimentos". Mas Sílvia Coutinho considera que aos três anos as crianças começam a pedir brinquedos e é preciso dizer-lhes que não podem ter tudo. Por isso, essa pode ser uma boa idade para lhes explicar de forma simples o que é a crise.

Nestas idades, a crise pode ter um lado positivo, diz Gomes Pedro: "É nestas alturas que as crianças podem construir valores morais e aprender a partilhar." Isto é, ao compreenderem as dificuldades por que passa a família, ou outras pessoas, aprendem também elas a fazer frente aos problemas. Gomes Pedro sublinha, porém, que aos três ou quatro anos os miúdos "envolvem-se naturalmente nas fantasias".

Então e aquelas histórias todas de finais felizes não existem?

Apesar de a crise não ser uma situação agradável, Bruno Gomes defende a necessidade de as crianças imaginarem que podem ser felizes, "que o bom pode vencer".

Da mesma forma, Sílvia Coutinho também aconselha os pais a continuarem a contar histórias felizes aos filhos, pois estas dão segurança. "As histórias com final feliz dão a ideia de que tudo vai correr bem no final e isso é bom", assegura.

A psicóloga entende mesmo que estas histórias podem ajudar a falar da crise. "Os pais podem dizer que agora não podem comprar tudo, mas que no futuro tudo vai resolver-se e vão poder comprar brinquedos", exemplifica.

Importante também é que as crianças entendam o mundo à sua volta. "Os pais nunca devem ocultar a verdade. Mas é sempre mais fácil ir pelo lado negativo. Temos de pensar no aspecto positivo, explicando o lado mau", recomenda Bruno Gomes, aconselhando mesmo os pais a lerem contos de fadas para si próprios.

Para Gomes Pedro, "a criança deve saber o que é a realidade, mas claro que deve ter o seu refúgio de fantasia."


Publicado no Diário de Notícias em 06/06/2010

http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1586563

Presente de Natal: Brincar!

Numa sociedade caracterizada pela azáfama de afazeres quotidianos, é frequente os adultos não investirem activamente numa das principais ferramentas que as crianças possuem para conhecer, explorar e compreender o mundo: "brincar".

O acto de "brincar", ao longo da História tão frequentemente desvalorizado e destituído de valor prático, serve de base para a aquisição e promoção de competências fundamentais para o desenvolvimento global da criança. Actualmente assume tal importância que no Princípio VII da Declaração Universal dos Direitos da Criança é consagrado o direito à criança de brincar. Existe um amplo consenso sobre a sua importância em múltiplas áreas do desenvolvimento infantil, e o "brincar", o jogo e o brinquedo são actualmente alvo de estudos científicos.
Nesta perspectiva, defende-se o "brincar" como fundamental para o desenvolvimento da criança, bem como a participação dos pais nas mesmas, já que o "brincar":

- É, por excelência, uma forma da criança comunicar e expressar-se;

- É a forma mais natural (e divertida) da criança aprender. Desta forma, a aprendizagem realiza-se de uma forma espontânea, sem o risco de insucessos, apenas pelo prazer de explorar;

- É o principal motor de desenvolvimento global da criança. Quer a nível motor, social, cognitivo e afectivo. O conjunto de desafios provocados e experimentados através do brincar proporcionam à criança a possibilidade de testar os seus limites, de correlacionar ideias, de estabelecer relações lógicas, de construir conceitos, estimular a linguagem, aprender a compreender e lidar de forma eficaz com os sentimentos;

- Permite à criança conhecer e inserir-se na sua sociedade, socializar-se com o grupo de pares e com os adultos, fazer amigos;

- Os pais, ao brincarem com os seus filhos, além de lhes possibilitarem a interiorização dos seus valores, estão a demonstrar interesse pelo meu "mundo", pela forma como conhecem e exploram a realidade. Deste modo, revelam ao seu filho o amor que sentem por ele, e a importância que os atribuem às suas brincadeiras o que, além de valorizar o acto da criança, aumenta o seu interesse, fomenta a criatividade e contribui para a auto-estima da mesma.

Contudo, antes de mais, a criança deve brincar porque brincar é bom, faz bem. É divertido, dá vontade de rir, e contribui para que se sinta feliz. Este Natal, pede-se aos pais que dêem tempo às crianças para brincarem, que brinquem com elas, e que participem activamente no desenvolvimento de todas as capacidade dos seus filhos.

A todos um Bom Natal.

Dois mundos: O Divórcio dos pais

Numa sociedade caracterizada pelas constantes alterações a nível sociocultural, uma das mudanças mais visíveis prende-se com o galopante aumento da taxa de divórcios, que deixou de ser um acontecimento raro, possuidor duma carga social muito negativa, e tornou-se num facto comum e aceite nos nossos dias, existindo vários estudos que apontam para que, dos casamentos que ocorrem actualmente, perto de 50% resultarão em divórcio.

As explicações para este fenómeno são várias, podendo passar por um menor peso da Igreja e dos seus valores na sociedade actual, o desejo de felicidade e realização pessoal sobreposto ao respeito pelas tradicionais regras sociais, um regime imediatista de todo o tipo de consumo, entre outras causas. Mais do que analisar as inúmeras razões que motivam um casal para a tomada de decisão de viverem separados, é importante reflectir que, com frequência, quem mais sofre com todo o processo é quem não tem qualquer responsabilidade por ele: os filhos.

Este é inevitavelmente um momento difícil para uma criança, provavelmente até mesmo o mais difícil pelo qual terá de passar na sua infância. Porém, os pais têm um papel fundamental no processo de adaptação à nova realidade e na forma como elabora a sua perda. Não poderão evitar que a criança sofra, mas poderão minimizar esse sofrimento.

A separação

Para potenciar esse processo de acompanhamento e ajuda a uma criança na fase do divórcio, é necessário encará-lo como um acontecimento duradouro, como algo que surge de um casamento infeliz, que requer a separação física, e se prolonga pelo resto da vida, sendo necessário adoptar uma diferente organização e dinâmica familiar. Este é um processo muitas vezes longo, que envolve uma complexa cadeia de acontecimentos que se repercutem por muitos anos.

Um divórcio altera todo o conceito de família que a criança possuía, obrigando-a a confrontar-se com a inevitável saída de um dos progenitores de casa e, na generalidade das crianças, com a perda do contacto diário com o mesmo. Este é sempre um acontecimento doloroso para uma criança, que a marcará. O modo como um filho vivência esse período, bem como os sentimentos com que é confrontada, variam de criança para criança, consoante a sua personalidade, a dos pais, o seu género, a sua e idade e maturidade, entre vários outros factores.

A panóplia de sentimentos que a criança poderá sentir é enorme, sendo muito frequente sentir angústia, medo de perda, de abandono, culpa, raiva, negação, tristeza e ansiedade. Quando um progenitor abandona o parceiro, é comum a criança também se sentir abandonada, e com medo de perder a ligação com o elemento que sai de casa. A frequente batalha por parte das crianças para que os pais não se separem (realidade que a criança procura evitar a todo o custo) suscita sentimentos de impotência, bem como a apreensão de que a sua opinião, os seus desejos não são significativos, e que não é capaz de controlar algo tão importante para a sua vida.

Pré-divórcio

As crianças percepcionam muito mais do que podemos imaginar e, dependendo da sua idade, é comum que sintam quando o casamento dos pais está em crise. Apesar dessa percepção, é natural que possuam receio em fazer questões, provavelmente com medo do que possam ouvir. Não obstante esse silêncio, desde o momento em que os pais tomam a decisão irreversível de se divorciarem, é importante prepararem os seus filhos para o que se suceder. Desta forma os pais, em conjunto e, de forma sensata e calma, devem explicar aos filhos as alterações que irão ocorrer. O facto de estarem todos juntos permite à criança encarar esta situação como uma decisão mútua, acordada por ambos os pais, de forma madura e racional.

Com o cuidado de adequar a linguagem à idade e maturidade do filho, é importante explicar de forma clara toda a situação. Na maioria destas, as crianças não necessitam de relatos muito elaborados. Basta explicitar de forma simples o que é um divórcio, as mudanças que ocorrerão na vida dos pais e na dos filhos, em traços gerais, as razões do divórcio (evitando pormenores ligados a questões sexuais ou actos de infidelidade, caso estes ocorram). Aos filhos, poderá ser difícil compreender e aceitar essa nova realidade. Cabe aos pais, sempre que necessário, e com a devida paciência, voltar a repetir o anteriormente explicado, por outras palavras, as vezes que a criança sentir necessidade. Ela saberá transmitir quando tiver assimilado a nova informação, provavelmente elaborando uma nova questão.

É natural o surgimento de sentimentos de culpa, por parte das crianças, por se percepcionarem causadoras da separação dos progenitores. Aos pais, cabe explicar aos filhos que estes não são culpados da situação, antes pelo contrário, as crianças são o melhor que o casamento lhes trouxe. Importa esclarecer que já existiu amor entre os pais, tal deixou de se verificar, mas o amor pelos filhos irá manter-se para sempre, tal é impossível de mudar. Desta forma, além de estarmos a ajudar a criança a lidar com os sentimentos de culpa, estaremos a validar e a combater o medo de perder o amor dos seus pais, em especial o de quem sai de casa.

Ao se deparar com a notícia, o filho poderá ter dificuldades em aceitá-la como algo definitivo. É conveniente que os pais manifestem a firmeza e a irreversibilidade da decisão e, quando já planeada, informá-la da data concreta de saída de casa do pai/mãe. Mais uma vez, manifestem ao filho que não está no poder dela impedir essa separação, nem depende de si o reatamento da relação, é uma decisão dos pais, pela qual ele não é minimamente responsável.

É comum o casal procurar esconder os seus sentimentos, não só nesta, mas na maioria das situações penosas por que passam. Esse comportamento é legítimo e compreensível, pois parte do desejo de querer poupar às crianças a dor dos pais. Porém, a criança é indissociável da família e, tal como a maioria dos mecanismos que adquire, ela aprende a lidar com os sentimentos vivenciando-os e, preferencialmente, junto dos seus pais, que são os seus modelos. O acto de partilharem os seus transmite-lhes a ideia de não serem os únicos a sofrerem com a situação, permitindo-lhes sentirem-se menos isolados e mais apoiados. Mais uma vez se pede honestidade em todo este processo, e tal verifica-se igualmente ao nível dos sentimentos, em que pais e filhos devem poder expressar livremente a tristeza que sentem, sendo esse o primeiro passo para o processo de adaptação à nova realidade.


Bilhete de Identidade: PAIS

O divórcio dos pais acarreta sempre sofrimento. Não obstante toda a dor causada, a nível emocional, todo o processo antes e depois da separação é mais relevante que o divórcio em si. Vários estudos demonstram que os filhos submetidos a relações conflituosas entre os pais, seja através de agressões verbais ou físicas constantes, ou mesmo casamentos caracterizados pela inexistência de comunicação, diálogo, centradas no silêncio, proporcionam com maior frequência crianças com problemas de comportamento e de socialização do que as cujos pais se divorciaram.

Em contrapartida, diferentes estudos apontam para que a existência de um bom diálogo entre os pais após o divórcio é um dos melhores predictores de ajustamento psicológico das crianças fruto de pais divorciados. Ou seja, só por si, o divórcio não é sinónimo de problemas emocionais nas crianças mas, todavia, é necessária a consciência que a parentalidade não termina (ou diminui) após o divórcio, verificando-se a necessidade de continuidade e estabilidade das relações afectivas com ambos os pais, e um adequado entendimento e respeito entre ambos os progenitores.


Pós-separação

Um homem e uma mulher podem divorciar-se um do outro, mas o mesmo não pode acontecer com os filhos. Separar o papel de marido e mulher do de pai/mãe é uma tarefa que os pais terão de encarar como decisiva na forma como a criança vivência o divórcio dos pais. Esse é um papel para a vida, e que deve ser aceite e cumprido com responsabilidade e amor por ambos os progenitores, antes, durante e após o processo de divórcio.

Muito embora todos os prejuízos causados por um divórcio, uma família só com a presença da mãe ou do pai pode facultar um ambiente mais saudável para o desenvolvimento de uma criança, do que a coexistência numa família em permanentes conflitos, caracterizada pala falta de comunicação e de amor.

A ruptura da família é encarada como um problema de difícil resolução para a maioria dos filhos, mesmo tendo em conta que geralmente se apresenta como a única solução para por termo a todo um cenário de conflitos e dor. Os filhos, envoltos em todo o processo, necessitam, por parte dos pais, de serem salvaguardados de todos os conflitos, discussões e disputas tão frequentemente associadas a este período.

A criança necessita de elaborar a sua dor, de adaptar-se a todas as alterações na sua realidade. Para que todo esse processo decorra de forma saudável, é preciso sentir que, apesar do divórcio, o seu amor pelos pais, e o destes por si não será posto em causa. Ela poderá gostar sempre dos dois e nunca terá de escolher entre eles, independentemente do progenitor que ficou com a sua custódia, e daquele que saiu de casa.

Na maioria das acções de divórcio, a custódia dos filhos é atribuída à mãe. Nestes casos, ou quando o inverso ocorre, é necessária a consciência que as crianças necessitam de contactos frequentes e regulares com ambos os progenitores. Para o seu desenvolvimento psicológico e social, as crianças precisam de possuir uma boa imagem do pai e da mãe, necessitam duma relação saudável, estável e positiva com ambos os progenitores.

Manutenção das rotinas

Tanto quanto possível, as rotinas diárias deverão ser mantidas (hora de acordar, deitar, ir para a escola, refeições, etc.). Este procedimento permite minimizar a sensação de intranquilidade e turbulência que caracteriza este período, consequência de todo o desmoronar da imagem familiar que a criança possuía. Estes actividade e rotinas permitem à criança a sensação de alguma normalidade no seu ambiente, transmitindo-lhes segurança e conforto.

É importante que as crianças se mantenham a frequentar a mesma escola mas, se tal não for possível, a manutenção das redes de contacto que possuía antes do divórcio (amigos, colegas de escola e outras actividades extracurriculares, etc.) é uma importante forma de obterem apoio de pessoas significativas, bem como possibilitar divertirem-se e esquecerem por momentos o momento difícil por que passam. No mesmo sentido, a família alargada (avós, tios, primos) poderá ser uma forte fonte de apoio, compreensão e, em muitos casos, oferecem modelos de organização familiar, em que a criança pode procurar compreensão e estabilidade.

Aos pais

Sumariamente, ao longo deste artigo, procurou-se realizar uma reflexão sobre a forma como as crianças sentem e vivenciam a separação dos pais e as suas repercussões psicológicas. Mas, fundamentalmente, procurou-se que, através duma maior consciencialização do sofrimento dos prejuízos emocionais a que as crianças estão sujeitas, os pais aceitem a responsabilidade do seu papel, e se consciencializarem de que é necessário esforço e discernimento, para colocar os interesses dos seus filhos acima dos seus próprios. Pede-se-lhes que assumam a parentalidade, e que desempenhem esse papel para a vida.

Agressividade ou falta de limites?

A sociedade actual exige cada vez mais dos pais: em termos de disponibilidade prestada; dos cuidados necessários; da difícil gestão de situações e problemas; o boom de informação à qual as crianças têm acesso; um regime escolar mais permissivo instalado; entre outros. Desta extrema exigência face à multiplicidade de factores, componentes e intervenientes, é comum os pais depararem-se com dificuldades em lidar com a agressividade dos seus filhos.


Quando um bebé nasce, ele traz na sua "mala de ferramentas" impulsos amorosos, mas também agressivos. A agressividade é fundamental para que a criança aprenda a defender-se e a impor-se no meio em que vive e se desenvolve, para afirmar-se e ensaiar-se enquanto pessoa. Nesta experiência que é o crescer, a criança não sabe controlar essa agressividade, ou seja, não consegue usar de modo adequado esta "ferramenta".

Geralmente, os comportamentos agressivos ocorrem quando a criança se sente frustrada ou quer comunicar que algo não está bem. Com muita frequência, a criança provoca um adulto para que ele possa intervir por ela e controle o seu impulso agressivo, já que ela é pequena e não tem condições de o fazer autonomamente. Nesses momentos, é como se o adulto emprestasse o seu auto-controlo à criança.

O comportamento agressivo infantil resulta, numa perspectiva desenvolvimental, na ausência de estratégias pessoais para organizar respostas melhor adaptadas à necessidade de conforto e segurança que a criança tem diante de situações ansiogénicas. Assim como os pais ajudam uma criança a andar, a falar... também a devem ensinar a controlar a sua agressividade e a aprender a hora e o modo correcto de a exteriorizar.

À medida que cresce, a criança aprende com os adultos que existem diferentes formas de se defender e obter aquilo que deseja. Quando os pais e/ou educadores ensinam que não é necessário tirar aos colegas os brinquedos, mas que é possível pedir para brincar com eles, ou chegar a um entendimento sobre como dividi-los, eles estão a ensinar à criança estratégias sociais que podem substituir condutas agressivas. Se este tipo de estratégia se mostrar eficaz, gradualmente a criança aprende a negociar e, se o ambiente no qual se insere valorizar essa atitude, gradualmente a conduta agressiva passa a ser menos frequente que as restantes estratégias para controlar o ambiente. É por isso que as lutas vão diminuindo de frequência com o seu desenvolvimento.


Para que as crianças apresentem uma forma legítima, natural e saudável de agressividade, é conveniente que os pais sejam tolerantes para com os filhos, aceitando-os e compreendendo-os de forma absoluta, mas justa. Dessa forma, estaremos a contribuir para que a independência e a criatividade sejam traços marcantes no desenvolvimento da criança, privilegiando simultaneamente na relação, a construção, o estabelecimento e a interiorização (compreensão e aceitação) de regras e limites, num exercício contínuo de respeito pelos outros e pela natureza.


A questão das regras e dos limites assume um papel educativo cada vez mais importante, visto verificar-se grande receio, por parte dos pais, em reprimirem, censurarem ou limitarem os seus filhos, fazendo da permissividade uma forma de lhes agradar e compensar possíveis ausências resultantes do ritmo de vida actual, expresso na falta de tempo para estarem e acompanharem os filhos. Porém, tal acarreta o enorme risco de gerar crianças que não conhecem os seus limites, e que não sabem lidar com sentimentos de frustração.

Ou, noutro sentido, crianças sujeitas a uma conduta de risco devido à inconsistência na forma de colocar limites. Tal pode deixar a criança confusa sobre o que pode ou não realizar, e torna difusa a compreensão do que é certo e do que é errado. Também não é raro encontrem-se pais que estimulam a conduta agressiva dos filhos, principalmente dos meninos, para a resolução de conflitos.

Apesar de não existirem receitas ou guiões para lidar com a agressividade duma criança, ficam aqui algumas ideias que podem ajudar no dia-a-dia. São elas:

- É necessário aceitar que, bem doseada, a agressividade é natural e até essencial para a criança poder brincar com os seus sentimentos agressivos, de forma a poder desenvolver a consciência da diferença entre a brincadeira e a verdadeira violência;

- Quando existe uma agressão por parte da criança, importa perguntar o motivo de tal gesto. Mesmo que a criança não responda, ajuda-a a pensar. Posteriormente, fazê-la pedir desculpa à agredida;

- É importante incentivar o diálogo e ser paciente. Muitas vezes, o tom de voz é determinante e diz mais do que as palavras. Procure ouvir a criança;

- O estabelecimento de limites claros é promotor do desenvolvimento da criança. Quando for necessário, dizer não, explicando o motivo da decisão. Não ter receio em impor a autoridade;


- Os adultos, enquanto modelos de referência, devem dar o exemplo e assim, não bater nas crianças;


- Manter a expectativa positiva face à criança e reforçar o comportamento adequado.

Normalmente, a agressividade não expressa "raiva", mas sim sentimentos como a insegurança, a mágoa, entre outros. É necessário ter em atenção o aumento da agressividade de uma criança, procurando compreender as causas por detrás desse comportamento.


"Disciplina é o segundo mais importante presente que os pais podem dar aos filhos. O amor vem em primeiro lugar, mas aprender a dominar sentimentos fortes como a raiva e a desilusão e comportar-se dentro de certos limites vem em segundo lugar."



T. Berry Brazelton

A agressividade nas crianças

Uma dificuldade comum à generalidade dos pais, prende-se com a forma como lidar com a agressividade dos seus filhos. É necessário aceitar que, bem doseada, a agressividade é natural e até essencial para a criança poder brincar com as suas fantasias agressivas, de forma a poder desenvolver a consciência da diferença entre a brincadeira e a verdadeira violência. Apesar de não existirem "soluções milagrosas" para lidar com a agressividade duma criança, ficam aqui algumas ideias que podem ajudar no dia-a-dia:

- Quando existe uma agressão por parte da criança, deve-se perguntar sempre o motivo de tal gesto. Mesmo que a criança não responda, obriga-a a pensar. Faze-la pedir desculpa à agredida;

- Procurar o diálogo e ser paciente. Muitas vezes, o tom de voz diz mais do que as palavras. Procurar ouvir a criança;

- Impor limites claros. Quando for necessário, dizer não, mas tentar sempre dar uma explicação;

- Não ter receio em impor a autoridade:

- Não bater nas crianças (devem ser os adultos a dar o exemplo).

- Manter a expectativa de comportamentos adequados e reforçá-los positivamente quando manifestados.

Normalmente, a agressividade não está a expressar raiva, mas sim outros sentimentos como insegurança, mágoa, etc. É necessário ter em atenção o aumento da agressividade de uma criança, procurando compreender as causas por detrás desse comportamento.

As crianças e a televisão

O debate entre os benefícios e malefícios da televisão no desenvolvimento das crianças acentua-se de dia para dia, da mesma forma que aumenta o número de horas de exposição das nossas crianças frente ao seu ecrã (e a outros mais). Mais do que tomar uma posição fundamentalista contra a televisão, é necessária a consciência que, tanto famílias como instituições educativas (e, porque não, toda a sociedade), têm um papel fundamental na educação das crianças e, neste caso concreto, na sua relação com a televisão.

Temos de ser nós, adultos, a ajudar as nossas crianças a ver televisão. Desta forma, ficam aqui algumas "dicas", que poderão ser úteis nesse processo de aprendizagem:

- Ver televisão com as crianças, e ajudá-las a escolher programas adequados para a sua faixa etária;

- Evitar que a televisão iniba a comunicação familiar;

- Falar com as crianças sobre os programas, ouvindo a opinião delas, e partilhar a sua;

- Evitar que as crianças vejam televisão antes de deitar, em especial programas violentos;

- Procurar não ver televisão durante as refeições;

- Não colocar televisão nos quartos;

- Dar o exemplo às crianças, procurando que a televisão não seja a principal fonte de informação e meio de ocupação de tempos livres. Com dedicação, paciência e carinho, mostre alternativas às crianças, tais como a leitura, jogos, conversas, desporto, passeios...