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Relaxar para crescer

Segunda-feira: toque atrás de toque, elas correm de sala para sala. Chegado o fim das aulas, agarram na mochila, já a caminho do automóvel e disparam rumo à Natação, Ténis, Judo ou Inglês, engolindo um lanche para aconchegar...preparam-se à pressa, que o tempo voa! Finda a actividade, arrancam para casa a todo o vapor, mergulham no banho, jantam e saltam para a cama (isto nos dias calmos, nos quais não há trabalhos de casa para realizar). Amanhã será terça-feira...


O ritmo exasperante a que habituamos as nossas crianças, de forma a corresponder às exigências crescentes da sociedade imediatista em que vivemos, traduz-se em horários a full-time, em que são equiparadas a ‘mini-adultos’. O desejo natural dos pais de as dotar e capacitar de mais recursos e “ferramentas”, para enfrentar os desafios, representa um acréscimo de oportunidades para o desenvolvimento da criança. Contudo, importa considerar que a criança precisa de momentos para relaxar.


A desvalorização dos momentos de relaxamento, por parte dos pais, associada à adopção do papel de ‘mini-adulto’ pela criança; a ocorrência de mudanças familiares; situações de crise; problemas na escola entre outros, podem originar estresse, dificuldades em gerir a ansiedade, perturbações do sono, alterações do comportamento e mesmo, do desempenho académico desta.



STOP: MOMENTO PARA RELAXAR

As técnicas de relaxamento são utilizadas na maioria das intervenções psicológicas a problemas que manifestam sintomas de ansiedade. De igual modo, o relaxamento pode ser promotor do desenvolvimento da criança e, simultaneamente, revelar-se um factor preventivo de eventuais complicações como as já mencionadas. Para tal, os pais podem incrementar esta prática no quotidiano da criança.


Enquanto agentes modeladores do comportamento da criança, compete aos pais apoiar e orientar o processo de parar para sentir, pensar, consciencializar-se, enfim relaxar. À medida que os pais lhe ensinam modos de relaxar, a criança interioriza-os e aprende a considerá-los um recurso ao longo da vida.


O relaxamento permite à criança renovar e ampliar, mental e fisicamente, a sua energia. Ajuda-a a expandir o conhecimento de si e dos outros, aumenta a sua auto-estima e favorece a aprendizagem de modos de actuar perante situações geradoras de estresse. Desta forma, competências essenciais como; atenção, memória, auto-regulação, criatividade, resolução de problemas, consciência de si, do seu corpo, das suas sensações e emoções, capacidade de escuta e análise, entre outras, são aprendidas e/ou potenciadas, favorecendo o seu desempenho em ocasiões futuras, nos mais variados contextos. Isto é, desenvolve novos recursos emocionais e cognitivos, através do ensaio de diferentes respostas exploratórias às dificuldades sentidas.



SAIBA AJUDAR

Existem diversas práticas de relaxamento que podem ser efectuadas de forma lúdica e apelativa entre pais e filhos, sem grande complexidade. Eis as algumas ideias:


Ensine-o a respirar
O respirar de forma profunda e compassada promove uma diminuição da activação fisiológica e, consequente, distensão muscular. Use um balão ou um apito para tornar a tarefa mais aliciante. No caso de optar por um apito, a respiração deve ser lenta a ponto deste não emitir qualquer som.



Usar a distracção
Existem actividades que, só por si, podem induzir estados de relaxamento. Tais como, a leitura de um livro ou revista, pintar, escrever, andar de bicicleta, dançar, etc. Além de distrair a criança quando está tensa ajuda-a a descentrar-se das suas preocupações.


Aliviar a tensão muscular
Peça à criança que se deite confortavelmente e feche os olhos. De seguida, ensine-a a concentrar e anular a tensão numa determinada parte do corpo, percorrendo sucessivamente todas as partes. Recorra a instruções como, “Faz força no braço direito.”, “Descansa-o.” Este exercício possibilita uma descarga das tensões acumuladas.


O poder do toque
O toque das pessoas significativas reduz os índices de ansiedade e transmite uma sensação de segurança e bem-estar. Um abraço, beijo, carícia, massagem, cócegas suaves, exemplificam contactos físicos que ajudam a criança a relaxar.
Contudo, este contacto físico não agrada a todas as crianças. Assim sendo, os pais podem deixar que seja ela a tocar-lhes. Por exemplo, permitindo que ela os penteie, massaje, faça cócegas, etc.


Utilizar a música
Coloque uma música calma, ainda que de fundo, o que incita um estado de relaxamento, quer aos pais, quer aos filhos. Esta prática minimiza o estresse ligado às rotinas diárias.


Falar de emoções
Por vezes, a criança sente medo e constrangimento em expor abertamente as suas emoções e sentimentos, por se considerar diferente, o que lhe pode causar ansiedade, tristeza, zanga, etc. Proporcionar momentos de diálogo espontâneo, com a criança, acerca dos sentimentos e emoções de ambos, permite-lhe sentir alívio e aceitação, por parte dos outros.
Elabore verbalizações que expressem claramente emoções como, por exemplo, “Sentes-te preocupado com o teste de amanhã?”, “Por vezes, quando tinha a tua idade, também me sentia nervoso.”, “Ficas-te com medo por o pai estar doente?”


Descontrair pela visualização
Esta prática pode revelar-se muito útil na hora da criança ir dormir.
Mais uma vez, a criança deve deitar-se confortavelmente e fechar os olhos. De seguida, peça-lhe para se visualizar num lugar do agrado da mesma, de preferência tranquilo e familiar, como a praia ou um campo. Posteriormente, sugira-lhe que imagine sensações características desse lugar (por exemplo, ouvir o som do mar ou do vento nas árvores, sentir o sabor de um gelado). Pode ser praticada em família, sem fronteiras para a imaginação.


Relaxar a brincar
Vestir a pele de um herói, construir um castelo, ser médico, professora ou pirata, fazer um puzzle, jogar à bola ou à apanhada... Brinque com a criança.
Brincar é o meio privilegiado desta explorar, conhecer e comunicar as suas vivências interiores. Ajuda-a a relaxar e a lidar com medos e angústias próprias da sua idade, estimulando a imaginação e criatividade.



Independentemente das práticas utilizadas, a premissa é relaxar. Páre, relaxe e divirta-se com o seu filho.


Realizado por Lúcia Fernandes (Psicóloga e Psicoterapeuta) e Bruno Gomes (Psicólogo e Psicoterapeuta)

Como lidar com as birras?

Uma criança aos berros no chão do supermercado... A gritar que não quer jantar... Raro é o pai que nunca teve de lidar com uma birra do filho. Entre os 18 meses e os 3/4 anos, quase todas as crianças passam, com menor ou maior intensidade, por momentos destes, o que deixa frequentemente os pais desarmados, sem saber como reagir.

A boa notícia é que tal situação é um sinal de crescimento, e é característica duma fase em que a criança procura afirmar-se, com sentimentos e vontades próprias.

Apesar de ser difícil lidar com este tipo de comportamentos, eles podem tornar-se em óptimas oportunidades de ajudar a criança a aprender a conviver com sentimentos como a frustração e a zanga, e a desenvolver a capacidade de auto-controlo. A tarefa dos pais é ensinar à criança outras formas de expressar as suas necessidades, e a aceitar o facto de que nem sempre lhe fazem a vontade.

Nestes momentos, é necessário que os pais não tenham receio de dizer não, explicando a razão de o fazerem. Cabe-lhes ensinar aos filhos que as birras não os farão mudar a sua opinião, bem como que o seu amor pelo filho não se alterará. Se mesmo assim não resultar, procure distraí-lo ou não lhe dê atenção por alguns minutos. Muitas birras terminam quando deixam de ter público e, com os pais por perto, tornam-se mais difíceis de controlar.

Após a criança controlar-se, felicite-a por ter optado pelo bom comportamento, e procure falar com ela sobre alternativas de conduta mais eficazes que as birras.

Só com firmeza as crianças aprendem a respeitar as regras propostas pelos pais. Aprender que tudo tem limites, abre caminho para um convívio saudável com os outros e para uma boa integração na sociedade.

O objectivo é a autodisciplina, porém, não pense que esta será a última birra...

Agressividade ou falta de limites?

A sociedade actual exige cada vez mais dos pais: em termos de disponibilidade prestada; dos cuidados necessários; da difícil gestão de situações e problemas; o boom de informação à qual as crianças têm acesso; um regime escolar mais permissivo instalado; entre outros. Desta extrema exigência face à multiplicidade de factores, componentes e intervenientes, é comum os pais depararem-se com dificuldades em lidar com a agressividade dos seus filhos.


Quando um bebé nasce, ele traz na sua "mala de ferramentas" impulsos amorosos, mas também agressivos. A agressividade é fundamental para que a criança aprenda a defender-se e a impor-se no meio em que vive e se desenvolve, para afirmar-se e ensaiar-se enquanto pessoa. Nesta experiência que é o crescer, a criança não sabe controlar essa agressividade, ou seja, não consegue usar de modo adequado esta "ferramenta".

Geralmente, os comportamentos agressivos ocorrem quando a criança se sente frustrada ou quer comunicar que algo não está bem. Com muita frequência, a criança provoca um adulto para que ele possa intervir por ela e controle o seu impulso agressivo, já que ela é pequena e não tem condições de o fazer autonomamente. Nesses momentos, é como se o adulto emprestasse o seu auto-controlo à criança.

O comportamento agressivo infantil resulta, numa perspectiva desenvolvimental, na ausência de estratégias pessoais para organizar respostas melhor adaptadas à necessidade de conforto e segurança que a criança tem diante de situações ansiogénicas. Assim como os pais ajudam uma criança a andar, a falar... também a devem ensinar a controlar a sua agressividade e a aprender a hora e o modo correcto de a exteriorizar.

À medida que cresce, a criança aprende com os adultos que existem diferentes formas de se defender e obter aquilo que deseja. Quando os pais e/ou educadores ensinam que não é necessário tirar aos colegas os brinquedos, mas que é possível pedir para brincar com eles, ou chegar a um entendimento sobre como dividi-los, eles estão a ensinar à criança estratégias sociais que podem substituir condutas agressivas. Se este tipo de estratégia se mostrar eficaz, gradualmente a criança aprende a negociar e, se o ambiente no qual se insere valorizar essa atitude, gradualmente a conduta agressiva passa a ser menos frequente que as restantes estratégias para controlar o ambiente. É por isso que as lutas vão diminuindo de frequência com o seu desenvolvimento.


Para que as crianças apresentem uma forma legítima, natural e saudável de agressividade, é conveniente que os pais sejam tolerantes para com os filhos, aceitando-os e compreendendo-os de forma absoluta, mas justa. Dessa forma, estaremos a contribuir para que a independência e a criatividade sejam traços marcantes no desenvolvimento da criança, privilegiando simultaneamente na relação, a construção, o estabelecimento e a interiorização (compreensão e aceitação) de regras e limites, num exercício contínuo de respeito pelos outros e pela natureza.


A questão das regras e dos limites assume um papel educativo cada vez mais importante, visto verificar-se grande receio, por parte dos pais, em reprimirem, censurarem ou limitarem os seus filhos, fazendo da permissividade uma forma de lhes agradar e compensar possíveis ausências resultantes do ritmo de vida actual, expresso na falta de tempo para estarem e acompanharem os filhos. Porém, tal acarreta o enorme risco de gerar crianças que não conhecem os seus limites, e que não sabem lidar com sentimentos de frustração.

Ou, noutro sentido, crianças sujeitas a uma conduta de risco devido à inconsistência na forma de colocar limites. Tal pode deixar a criança confusa sobre o que pode ou não realizar, e torna difusa a compreensão do que é certo e do que é errado. Também não é raro encontrem-se pais que estimulam a conduta agressiva dos filhos, principalmente dos meninos, para a resolução de conflitos.

Apesar de não existirem receitas ou guiões para lidar com a agressividade duma criança, ficam aqui algumas ideias que podem ajudar no dia-a-dia. São elas:

- É necessário aceitar que, bem doseada, a agressividade é natural e até essencial para a criança poder brincar com os seus sentimentos agressivos, de forma a poder desenvolver a consciência da diferença entre a brincadeira e a verdadeira violência;

- Quando existe uma agressão por parte da criança, importa perguntar o motivo de tal gesto. Mesmo que a criança não responda, ajuda-a a pensar. Posteriormente, fazê-la pedir desculpa à agredida;

- É importante incentivar o diálogo e ser paciente. Muitas vezes, o tom de voz é determinante e diz mais do que as palavras. Procure ouvir a criança;

- O estabelecimento de limites claros é promotor do desenvolvimento da criança. Quando for necessário, dizer não, explicando o motivo da decisão. Não ter receio em impor a autoridade;


- Os adultos, enquanto modelos de referência, devem dar o exemplo e assim, não bater nas crianças;


- Manter a expectativa positiva face à criança e reforçar o comportamento adequado.

Normalmente, a agressividade não expressa "raiva", mas sim sentimentos como a insegurança, a mágoa, entre outros. É necessário ter em atenção o aumento da agressividade de uma criança, procurando compreender as causas por detrás desse comportamento.


"Disciplina é o segundo mais importante presente que os pais podem dar aos filhos. O amor vem em primeiro lugar, mas aprender a dominar sentimentos fortes como a raiva e a desilusão e comportar-se dentro de certos limites vem em segundo lugar."



T. Berry Brazelton

Estratégias para crianças com défice de atenção


- As crianças com défice de atenção necessitam de organização, de estrutura, de directrizes e de repetições. O estabelecimento de regras, expostas e de fácil leitura, ajuda a criança a saber o que é esperado dela, o que lhe transmite segurança. O clássico conjunto de regras, exposto na sala, de uma forma visível e apelativa, após terem sido trabalhadas em grupo, é um meio auxiliar muito eficaz. Convém ter em conta a necessidade das regras serem colocadas na positiva, e de se recorrer a elas sempre que uma seja desrespeitada. As crianças necessitam ouvir com frequência, por isso repita-as, fale acerca delas, promova o diálogo, etc.

- Um sistema de créditos (economia de fichas) é uma possibilidade válida de alterar alguns dos comportamentos indesejáveis. Convém que seja realizado na positiva, nunca na negativa, com prémios concretos que, à medida que os objectivos vão sendo alcançados, vão sendo substituídos por elogios (por ex.). No início da aplicação do sistema, os critérios de avaliação terão níveis de exigência mais reduzidos, ocorrendo um aumento gradual à medida que o tempo passa e os objectivos vão sendo alcançados.

- Dar feedback, de uma forma construtiva, com frequência. As crianças beneficiam muito com o retorno frequente do seu resultado. Tal facilita a ocorrência dum comportamento desejável, possibilitando à criança saber o que lhe é esperado, e se está a atingir as metas esperadas, o que pode ser um excelente incentivo.

- Possuir pensamento positivo. Na maioria dos casos, quando se corrige uma criança, existe a tendência para dizer :"Não faças isso"; quando o que surtirá mais efeito será dizer: "Faz isso". Procurar dizer pela positiva, ao invés da negativa. Desta forma permite-se à crianças interiorizar o que tem de fazer, o que se espera dela, ao invés do que o que não se espera que realize.

- Existe elevada associação entre o défice de atenção e a baixa auto-estima, normalmente como consequência directa da primeira. Convém que a criança seja "alimentada" com incentivos e apoios, não apenas quando termina tarefas, mas também durante a realização das mesmas. Valorizar mais o esforço que o resultado final.

- Deve-se procurar salientar os aspectos positivos da criança, evitando tratá-lo por apelidos ou realizar comentários depreciativos. Quando for necessário criticar, deve-se criticar o comportamento específico, mostrando, no entanto, que ela pode melhorar e, de uma forma pedagógica, mostrar-lhe a forma correcta de agir. Perguntas do género "Sabes o que fizeste?, ou "Como é que achas que podias ter feito de forma diferente?" ajudam a promover a auto-observação.

- Estabelecer tarefas de conclusão rápida (inicialmente), começando a aumentar gradualmente a complexidade e duração das mesmas, fomentando a aprendizagem da organização. Relativamente a grandes tarefas, procurar dividir em menores. Grandes tarefas, em crianças com défice de atenção, frequentemente resultam num nível de resposta do tipo "eu não sou capaz". Pela divisão de tarefas, o adulto pode permitir à criança que demonstre a si própria que é capaz, e evitar sentimentos de frustração.

- Na sala, procurar colocar a criança junto do adulto, tal ajuda a evitar a distracção. De igual forma, juntar a criança perto de outras bem comportadas, pois ela necessita de modelos para se estimular.

- Procurar juntar as mesas em círculos, ou em "U". Tal facilita o contacto e o "olho a olho" com os restantes colegas, o que ajuda a evitar a dispersão.

- Utilizar, sempre que possível, metodologia visual. Procurar escrever no quadro palavras chave enquanto se fala dos assuntos.

- Ser criativo e procurar inovar, tal entusiasma as crianças, ajuda a motivar e a manter a atenção.

- Alternar actividades mentais e físicas.

- Muitas vezes, o "chamar à atenção" verbal pode ser trocado por um simples olhar, que ajuda a criança a manter-se atenta. O mesmo resultado pode ter um pequeno toque físico quando esta se distraí (Ex.: leve toque no ombro).

- Promover a prática de exercícios físicos, tal ajuda a "libertar" o excesso de energia, contribuí para o aumento da capacidade de concentração, além de ser divertido.

- Procurar fomentar a comunicação Pais/Escola, não apenas duma forma reactiva, após a ocorrência de dificuldades, mas sim duma forma construtiva e preventiva.

A agressividade nas crianças

Uma dificuldade comum à generalidade dos pais, prende-se com a forma como lidar com a agressividade dos seus filhos. É necessário aceitar que, bem doseada, a agressividade é natural e até essencial para a criança poder brincar com as suas fantasias agressivas, de forma a poder desenvolver a consciência da diferença entre a brincadeira e a verdadeira violência. Apesar de não existirem "soluções milagrosas" para lidar com a agressividade duma criança, ficam aqui algumas ideias que podem ajudar no dia-a-dia:

- Quando existe uma agressão por parte da criança, deve-se perguntar sempre o motivo de tal gesto. Mesmo que a criança não responda, obriga-a a pensar. Faze-la pedir desculpa à agredida;

- Procurar o diálogo e ser paciente. Muitas vezes, o tom de voz diz mais do que as palavras. Procurar ouvir a criança;

- Impor limites claros. Quando for necessário, dizer não, mas tentar sempre dar uma explicação;

- Não ter receio em impor a autoridade:

- Não bater nas crianças (devem ser os adultos a dar o exemplo).

- Manter a expectativa de comportamentos adequados e reforçá-los positivamente quando manifestados.

Normalmente, a agressividade não está a expressar raiva, mas sim outros sentimentos como insegurança, mágoa, etc. É necessário ter em atenção o aumento da agressividade de uma criança, procurando compreender as causas por detrás desse comportamento.

Berçário - Socialização e adaptação da criança

Nos dias de hoje, em que a mulher assume cada vez mais actividades fora de casa, é comum as crianças ficarem a cargo de terceiros mais cedo.

A adaptação da criança está na dependência da orientação do pessoal do berçário, que deverá conhecer as suas necessidades básicas, as suas características evolutivas e ter informações quanto aos aspectos da saúde, higiene e nutrição infantil (todas estas informações devem ser passadas pelos pais em entrevista prévia através da anamnese). Desta forma, a socialização da criança desenvolve-se harmoniosamente, adquirindo superioridade sob o ponto de vista da independência, autoconfiança, adaptabilidade e rendimento intelectual.

As actividades programadas devem basear-se nas suas necessidades e interesses: as crianças são ávidas para explorar, experimentar, coleccionar, aprendem depressa e desejam exibir as suas habilidades.

As actividades têm como objectivo a estimulação de diferentes áreas, como a: percepção visual, coordenação motora, percepção auditiva, linguagem, percepções gustativas e olfactivas, percepção táctil, Educação Artística e Educação Física; que integram o processo de aprendizagem da criança com o processo de socialização.

Caberá à Instituição estimular e orientar a criança, considerando os estágios do seu desenvolvimento, aceitando-a e desafiando-a a desenvolver-se. A criação de um ambiente que estimule a actividade criadora da criança, além de contribuir para o seu desenvolvimento global, favorece igualmente a aproximação da criança à realidade escolar.

Porém, o desenvolvimento da criança deve ser acompanhado, principalmente, pelos pais, pois o Berçário é apenas um suporte facilitador de todo o processo. Cabe também aos pais acompanhar a rotina do seu filho através das reuniões e horários de atendimento do berçário.

Informações sobre o processo de adaptação no Berçário:
1 - A vinda da criança para a Instituição deve ser preparada;
2 - A separação, apesar de necessária, é um processo doloroso tanto para a criança quanto para a mãe, mas é superada em relativamente pouco tempo;
3 - Devem-se procurar evitar grandes alterações durante esse período de adaptação: mudança de residência; retirada da chucha ou das fraldas; mudança das mobílias do quarto da criança; etc.;
4- O facto da criança chorar na hora da separação é frequente e nem sempre significa que ela não queira ficar na escola;
5- A ausência do choro não significa que a criança não sinta a separação. Não é necessário encarar esse facto com ansiedade, pode até ser um bom sinal;
6- Sempre que possível, é benéfico que seja a mãe a entregar a criança à educadora, colocando-a no chão e incentivando-a a ficar na Instituição. Não é recomendável deixar a educadora com o encargo de retirar a criança do colo da mãe;
7- Nunca saia "escondida" do seu filho. Despeça-se naturalmente.
8- A sala do Berçário é um espaço que deve ser respeitado e a sua presença nela, além de dificultar a compreensão da separação, fará com que as outras crianças "reclamem" a presença das respectivas mães;
9 - Lembre-se que a equipa do Berçário trabalha com crianças em grupo, procurando distribuir a sua atenção pelos diferentes bebés;
10 - Se os pais confiarem na Instituição e nos seus trabalhadores, sentirão segurança no momento da separação e, esse sentimento, será transmitido ao bebé, que suportará melhor a nova situação;
11 - O período de adaptação varia de criança para criança, é único e deverá ser respeitado;
12 - Poderão ocorrer algumas regressões de comportamento durante o período de adaptação, assim como alguns sintomas psicossomáticos (febre, vómitos etc.);
13 - Nesta fase, é comum verificar-se, por parte do bebé, uma ambivalência de sentimentos: o desejo de autonomia e a sua necessidade de protecção ocorrem simultaneamente;

Dúvidas Quanto à Adaptação no Berçário:
Ao deixar uma criança no Berçário, é frequente o aparecimento de sentimentos de culpa, insegurança, ansiedade e ciúmes pelo "abandono" da criança. Se sentir-se deprimida por esse sentimento procure discuti-lo com o Psicólogo da Instituição.

Habitualmente, até os sete meses, não se verificam grandes de problemas de adaptação, pois o bebé não distingue, visualmente, a sua mãe de outros adultos estranhos. A partir dos 8 meses o bebé passa pelo período de "Angústia do Estranho" (nível de maturação que permite ao bebé distinguir a diferença visual entre o conhecido e o desconhecido). Durante essa fase, a adaptação pode ficar mais difícil e demorar um maior período de tempo.

Em caso de dúvidas quanto ao comportamento do seu filho ou quanto às condutas adoptadas pela Instituição, procure a informar-se junto das pessoas que lidam com a sua criança ou de um Psicólogo, que estarão sempre à sua disposição para esclarecer e ajudar sempre que necessário.

As crianças e a televisão

O debate entre os benefícios e malefícios da televisão no desenvolvimento das crianças acentua-se de dia para dia, da mesma forma que aumenta o número de horas de exposição das nossas crianças frente ao seu ecrã (e a outros mais). Mais do que tomar uma posição fundamentalista contra a televisão, é necessária a consciência que, tanto famílias como instituições educativas (e, porque não, toda a sociedade), têm um papel fundamental na educação das crianças e, neste caso concreto, na sua relação com a televisão.

Temos de ser nós, adultos, a ajudar as nossas crianças a ver televisão. Desta forma, ficam aqui algumas "dicas", que poderão ser úteis nesse processo de aprendizagem:

- Ver televisão com as crianças, e ajudá-las a escolher programas adequados para a sua faixa etária;

- Evitar que a televisão iniba a comunicação familiar;

- Falar com as crianças sobre os programas, ouvindo a opinião delas, e partilhar a sua;

- Evitar que as crianças vejam televisão antes de deitar, em especial programas violentos;

- Procurar não ver televisão durante as refeições;

- Não colocar televisão nos quartos;

- Dar o exemplo às crianças, procurando que a televisão não seja a principal fonte de informação e meio de ocupação de tempos livres. Com dedicação, paciência e carinho, mostre alternativas às crianças, tais como a leitura, jogos, conversas, desporto, passeios...

O nascimento do novo irmão

Apesar do momento de felicidade que é para uma família o nascimento de uma criança, para um irmão mais velho este pode ser o início de um "pesadelo" e, assim, para os pais, que se dividem entre o contentamento de terem um novo filho e a necessidade de atenção de outro que, apesar de mais velho, continua uma criança. Quando a diferença de idades é superior a dois anos, maior será essa dificuldade.

Essas dificuldades são perfeitamente naturais e fazem inclusivamente parte da natureza humana: se normalmente temos dificuldade em dividir qualquer coisa, para uma criança é mais difícil dividir o carinho e a atenção dos seus pais. Por isso os ciúmes são perfeitamente aceitáveis, pelo que não há motivos para os tentar eliminar.

Após o nascimento do irmão, são totalmente compreensíveis tentativas de regressão por parte da criança (comportamentos mais infantis, relativos a fases entretanto já passadas). Tal é perfeitamente natural e, é dessa forma que deverão ser encaradas pelos pais: nunca se deve criticar nem contrariar (dentro do razoável) os pedidos de biberão ou chucha, por exemplo. Desta forma, contribui-se para que a criança se sinta aceite e amada como anteriormente ao nascimento do irmão.

Em relação aos ciúmes, deve-se enfrentá-los com descontracção e aceitação de algumas atitudes de intolerância reveladas pela criança. Os pais devem ter o cuidado de assegurar, através de palavras e gestos carinhosos, o lugar especial que o filho mais velho tem nos seus corações. Nunca se deve colocar a criança de parte, e permitir-lhe até, sempre que possível, que participe em tarefas simples que envolvam o bebé, juntamente com os pais.


Sempre que possível, é muito vantajoso procurar mostrar que o bebé gosta do irmão mais velho, que se acalma e sorri quando está com ele, procurando criar uma atmosfera positiva nestas situações de forma a que exista uma simpatia mútua.

É fundamental facilitar que os sentimentos negativos sejam expressos, por exemplo dizendo: "eu sei que é difícil para ti dividir as atenções com o teu irmão", de forma a evitar ou atenuar os sentimentos de culpa resultantes.